Quem sou eu senão névoa indecisa no ar. Uma mistura azeda de existência personalizada. Quem sou eu senão fragmento ao sabor do vento depois da tempestade. Um som abafado ao vento tumultoso do teu respirar agoniado. Quem sou eu senão papel rasgado depois de lido. Palavras sem letras lançadas ao mar. Sou tudo o que já não existe em mim. O êxtase do movimento num suspiro que enche o vazio de não existir mais nada aqui senão a infinidade do tempo. Tudo é real até acordarmos. Lava-me os sonhos em cama nua e o coração em alma suja... sou tempo que já não existe. Fui minha até me perder. Sou tua sem nunca te ver. [Onde estás tu?] Perdemos o beijo mesmo estando sós, mesmo que ninguem já não nos veja porque não é aquilo que não vemos que assusta, é o que nos faz sentir noutro sitio que nos consome. E quem sou eu senão alguém que já não existe aqui? Não alimentes as minhas mágoas, não me tentes salvar de nada pelo qual eu já não tenha morrido. Eu sou só mais um sitio que não conheces. Tomara que o que cresça nunca se perca em si mesmo. Tudo é real até acordarmos. O sonho és tu, ainda que, se um dia nunca chegares.
Domingo, Agosto 02, 2009
Quem sou eu senão névoa indecisa no ar. Uma mistura azeda de existência personalizada. Quem sou eu senão fragmento ao sabor do vento depois da tempestade. Um som abafado ao vento tumultoso do teu respirar agoniado. Quem sou eu senão papel rasgado depois de lido. Palavras sem letras lançadas ao mar. Sou tudo o que já não existe em mim. O êxtase do movimento num suspiro que enche o vazio de não existir mais nada aqui senão a infinidade do tempo. Tudo é real até acordarmos. Lava-me os sonhos em cama nua e o coração em alma suja... sou tempo que já não existe. Fui minha até me perder. Sou tua sem nunca te ver. [Onde estás tu?] Perdemos o beijo mesmo estando sós, mesmo que ninguem já não nos veja porque não é aquilo que não vemos que assusta, é o que nos faz sentir noutro sitio que nos consome. E quem sou eu senão alguém que já não existe aqui? Não alimentes as minhas mágoas, não me tentes salvar de nada pelo qual eu já não tenha morrido. Eu sou só mais um sitio que não conheces. Tomara que o que cresça nunca se perca em si mesmo. Tudo é real até acordarmos. O sonho és tu, ainda que, se um dia nunca chegares.
Quinta-feira, Julho 16, 2009
Domingo, Junho 28, 2009
Sábado, Junho 27, 2009
Orphée et Eurydice
"Sopros, gritos, vogais, consoantes desenraízam-se do orgânico como uma infra-língua extraída do âmago do corpo. Não é um mito sobre o amor. Não se procure aqui uma só Eurídice, um só Orfeu; eles são múltiplos, no número e no género."
Michèle Febvre
Orphée et Eurydice de Marie Chouinard - Teatro Carlos Alberto (10 e 12 Julho 2009)

Este edifício que se destrói e se constrói em cena é um corpo, tanto como a multiplicidade de corpos dos intérpretes são matéria desse mesmo edifício. A relação com os outros é uma relação física, que passa pela pele, pelo toque, pela manipulação, por se dar como objecto e que separa os dois amantes não porque o amor entre eles falhe por quebra de promessa aos deuses, mas porque, a bem da verdade, o verdadeiro gozo está no pecado.
Quinta-feira, Abril 02, 2009
Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
A Thousand Words By Ted Chung
A Thousand Words from Ted Chung on Vimeo.
A thousand words I could have said ... but i haven't!... I guess I've forgot how to pronounce them to you.
Every day brings new possibilities. Why won't you grab one?



