domingo, setembro 23, 2007

"Vista dos confins do espaço, a Terra não é maior do que um grão de poeira. Lembra-te disso da próxima vez que escreveres a palavra «Humanidade»"
Paul Auster, Viagens no scriptorium, pág.10, edições asa, 2007

segunda-feira, setembro 17, 2007

Jerry Uelsmann

Doença é esta minha inquietação,
este desassossego que me faz ser ilha
onde tudo o mais é mar, onde toda a mágoa
é sombra, sono irreconciliado onde
as altas interrogações se confundem
com a loucura dos astros e com o tormento
das crateras lunares, onde a minha noite
começa e a minha vida se faz porto desabrigo
em que toda a errância se cumpre.


José Jorge Letria Antero, doente de infinito

sábado, setembro 08, 2007

Deus cria Adão, Miguel Ângelo, tecto da Capela Sistina
Deus é o amigo imaginário dos adultos.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Entre o mar e a estrada, o sonho e a liberdade

Réunion ou Reunião é um departamento francês no Oceano Índico, localizado a leste de Madagáscar. A ilha principal é uma das duas maiores Ilhas Mascarenhas, sendo o seu vizinho mais próximo a outra: a Maurícia. Reunião tem, no entanto, várias dependências, espalhadas em torno de Madagáscar, no Índico e no Canal de Moçambique. Capital: Saint-Denis.

Ontem numa das mil e uma noites de maratona no sofá de sala, decidi invadir os canais de documentários, talvez com vontade de descobrir qualquer coisa que ainda não soubesse. Sintonizei-me no Nacional Geographic e não aprendi nada que não soubesse num programa de surf normal. O documentário era uma espécie de diário de um surfista e da sua mulher, igualmente surfista e grávida, que decidiram viajar pelos locais por onde o pai dele tinha surfado quando ele ainda era bebé. No entanto e, à parte das imagens paradísiacas da ilha Réunion e do surf, o que me tocou foi sobretudo a liberdade envolvida na vida daquelas duas pessoas. Pegar nos chinelos, na prancha e nos calções … abraçar o mar e ser feliz. Sei que as coisas não são assim tão simples, nem mesmo para aquele casal de surfistas. Deverão ter de viver de algum rendimento, deverão ter uma casa fixa, deverão ter obrigações mais do que apenas abraçar a estrada e o mar. No entanto, e dado o contexto que ela aparece na minha vida, não deixa de ser questionável toda a situação. Nada importou para que aquelas duas pessoas não se vissem sozinhas naquela ilha, bronzeados e felizes apenas por olhar para o pôr-do-sol. Filtrei a imagem em mim, enquanto lia durante a madrugada um livro sobre um rapaz de quinze anos que foge da casa do pai e decide ser livre por si só. “Sou livre. Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa. Será isto a liberdade? Não sei, confesso, e às tantas desisto de pensar nisso.” (Kafka à beira-mar, Haruki Murakami, pág.62, 7ª edição, 2007)
Numa mesma noite confrontei-me com duas situações que me fazem pensar na liberdade e questioná-la. Sei que não o sou. Sei que ainda não sei ser livre. Podia partir para África depois de ter estudado arquitectura durante 7 anos, e dedicar-me a ajudar quem mais precisa. Ser voluntária de alguma coisa da qual teria orgulho. Sei que podia partir de chinelos e calções, com uma mochila às costas e uma prancha de surf e ir para a ilha Réunion aprender a fazer surf e quem sabe um dia ser um ícone mundial dos mares selvagens. Quem sabe… amor e uma cabana. Ler os livros que nunca na vida uma pessoa teria tempo para ler num emprego 24/7.
Talvez desiludiria muita gente que apostou no meu sonho de erguer casas de betão ou tijolo se partisse para uma migalha do planeta e vivesse do peixe e do mar, da lixa de pranchas e barcos à vela. Talvez desiludiria muita gente que apostou em mim 7 anos de formação quando o que nos faz sonhar é o que nos esgota e irremediavelmente nos caminha para o nosso princípio. Se calhar alguém sempre quis ser astronauta, e nunca o foi porque quando cresceu achou idiota a ideia. Talvez um dia mais tarde quando acorde, se veja no começo da vida da responsabilidade e descubra que ser astronauta não é ser idiota, era ter sido livre.
Quem sabe eu seja feliz em arquitectura porque foi sempre isso que quis para mim, mas quem sabe se não seria mais feliz de outra maneira a fazer a coisa mais simples do mundo como alimentar alguém com fome… e ter sido livre assim.

"É tudo uma questão de imaginação. A nossa responsabilidade começa na capacidade de imaginar. Tal como Yeats disse: «Nos sonhos começa a responsabilidade.» Vira isto às avessas e podes dizer que onde não há capacidade de imaginação, não pode haver responsabilidade. Como se vê pelo exemplo de Eichmann (1)"
1. Adolff Eichmann responsável pelo plano de extermínio dos 14 milhões de judeus espalhados pela Europa, "apanhado - quer ele quisesse ou não - nos sonhos monstruosos de um homem chamado Hitler." (Kafka à beira-mar, Haruki Murakami, pág.172, 7ª edição, 2007)
O sempre é uma realidade que está mais longe, mas que não deixa de existir na probabilidade de se aproximar.
Raquel Fernandes

sábado, agosto 25, 2007

"A arte é um vício. Não se desposa legitimamente, viola-se."
Edgar Degas

quarta-feira, agosto 22, 2007

Quanto tempo é muito tempo?
Quanto tempo o tempo quiser.

Dissercações acerca de coisas [ir]relevantes - chawan mushi

“ [...] Queres saber o que me parece? Pois bem, parece-me que a maioria das pessoas vive a pensar que a vida e o mundo (e o diabo a sete) são, tirando alguma excepções fundamentalmente lógicos e coerentes (ou deveriam sê-los).Cheguei muitas vezes a esta conclusão falando com os que me rodeiam. Quando acontece alguma coisa, seja no terreno social ou no plano individual, há sempre alguém que diz: «Ah, isto aconteceu porque aquilo era assim e assado...», e quase sempre estão todos de acordo e respondem: «Ah, pois claro, é verdade, é verdade...». E isto é uma coisa que não me entra na cabeça. Dizer coisas do género «aconteceu isto por causa daquilo» e «por isso aconteceu o que aconteceu» não explica nada. É como meter um chawan mushi instantâneo dentro do microondas, carregar no botão e, quando soa o «tin», abrir a porta, tirar a tampa e verificar que o prato que escolheste está pronto! Quer dizer, o que é que aconteceu entretanto debaixo da tampa? Pode muito bem ter acontecido que o chawan mushi instantâneo primeiro se tenha convertido em macarrão gratinado com queijo e só depois passado a ser chawan mushi sem que ninguém desconfiasse de nada. Uma vez que metemos chawan mushi instantâneo no microondas, pensamos consequentemente que é natural que de lá saia chawan mushi no momento em que soa a campainha, mas aos meus olhos isso é apenas um conjectura. Para ser franca, senter-me-ia mais aliviada se, volta e meia, ao abrir a porta do microondas depois de lá ter posto chawan mushi instantâneo, saisse de lá de dentro macarrão com queijo. É evidente que ficaria admirada, mas, ao mesmo tempo não deixaria de estar aliviada. Ou, pelo menos, acho que não me sentiria assim tão confusa. Porque num certo sentido, isso seria aos meus olhos bastante mais «real».
E porquê mais «real»? Traduzir isso, de uma maneira lógica, em palavras, parece-me extremamente difícil, mas se parares para pensar, por exemplo, na minha vida até agora, logo te darás conta de que a «lógica» tem primado pela ausência. Em primeiro lugar, é para mim um absoluto enigma como é que os meus pais, mais chatos do que um par de rãs estúpidas, puderam ter uma filha como eu. Bem sei que parece mal ser eu a dizê-lo e tudo isso, mas o certo é que eu sou muito mais normal do que aqueles dois juntos. Não me estou a gabar, é a pura verdade. E, atenção, não estou a dizer que sou melhor do que eles, considero apenas que, enquanto ser humano, sou mais séria. Se os conhecesses, saberias do que estou a falar. Aqueles dois pensam que o mundo é uma coisa tão consistente e fácil de explicar como o desenho dos quartos numa casa nova em plena zona residencial. Vai daí, acreditam que, se adoptarem uma conduta lógica e coerente, tudo o mais lhes correrá de feição. É por essas e por outras que eles se sentem tão embaraçados e tristes e chateados quando eu não faço o mesmo.
Por que é que me foram logo calhar uns pais tão estúpidos? E porque é que, tendo eu sido criada por eles, não me transformaram à sua imagem e semelhança, numa filha igualmente estúpida, numa espécie de rãzinha desmiolada? Desde que me lembro, ando com estas e outras perguntas do género às voltas na minha cabeça, sem nunca encontrar explicação. Por um lado, dá-me a sensação de que deve existir uma razão concreta, ainda que eu não consiga atinar com ela. Isto a juntar a toneladas de outras coisas sem lógica nenhuma. Por exemplo: porque razão é que toda a gente à minha volta me detesta? Nunca fiz nada de mal. Levava até uma vida perfeitamente normal. E, apesar disso, um belo dia, de repente dei-me conta de que ninguém ia à bola comigo. Aí está uma coisa que me ultrapassa por completo.
Acredito, isso sim, que uma coisa incoerente arrasta consigo outra, e que foi por isso que aconteceram todas estas coisas juntas. Como, por exemplo, conhecer aquele rapaz da motorizada e provocar aquele estúpido acidente. Nas minhas recordações – ou, por assim dizer, na maneira como os factos se foram ordenando na minha cabeça – não existe nada parecido com «isto é assim, portanto resulta assado». Cada vez que abro a porta do microondas, ao soar a campainha, «tin», descubro à minha frente qualquer coisa que nunca antes tinha visto.
[...] Não sei, se calhar neste mundo há diferente tipos de pessoas e, enquanto para uns a vida e o mundo são coerentes, do género chawan mushi, para outros é tudo mais imprevisível, na base do macarrão gratinado com queijo. Aposto que se aquele par de rãs dos meus pais se pusesse chawan mushi instantâneo no microondas e, ao fazer «tin», lhes saísse um prato de macarrão com queijo, pensariam que se tinham enganado e que tinham posto lá dentro macarrão com queijo, ou então tirariam o prato de macarrão e tentariam convencer-se a si mesmos: «Isto parece macarrão gratinado com queijo, mas, na realidade, trata-se de chawan mushi. E por mais que eu lhes explicasse, com toda a calma, que por vezes, quando se põe chawan mushi no microondas, sai macarrão gratinado, não acreditariam em mim, ou então, o mais certo era passarem-se dos carretos. Entendes o que te estou a querer dizer, senhor Pássaro de Corda?”

Chawan muchi - é um expresso creme salgado de ovos, parecido com um pudim e servido numa pequena caçarola com tampa. «Chawan» vem de tigela e «mushi» significa «cozido em vapor». A receita tradicional leva nove ingredientes básicos, entre os quais frango, camarão, e legumes e semente de nogueira, (N. da T.)



“Crónica do Pássaro de Corda”, Haruki Murakami,pág. 483- 486,
casa das letras, 2ª edição, 1998

segunda-feira, agosto 20, 2007

Lillian Bassman, It's a Cinch, 1951
Um ponto final é sempre um começo ao contrário.
Raquel

sábado, agosto 18, 2007

Zdzislaw Beksinski

"A idade é apenas a desintegração da possibilidade e a asserção da probabilidade com a proporção entre ambas a reduzir-se a casa dia."
Robert Wilson, O cego de Sevilha, 2003, pág. 205

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sempre me pareceu ...

Alessandro Bavari The Gate, 2000

“Sempre me pareceu, que tudo o que existe à minha volta tem vários níveis de entendimento. Há momentos grandes disfarçados de pequenos; Gente pequena mascarada de grande.
Confunde-se timidez com antipatia, rotina por vulgaridade, o afecto por interesse, a alegria com uma tolice.”

David Fonseca, in Webisódio 3 – Interferências

Serei sempre aquilo para o qual nasci. A ambição de ser maior e morrer a ser pequena. Reduzida. Fui sempre mais alto por causa dos sonhos. Agora já não sei sonhar. O patamar da realidade ficou reduzido aos pés que pisam o chão, ao corpo que se deita inerte no que o consome de vez em vez a cada descanso. Fui sempre aquilo para o qual nasci, mas agora... agora sou apenas gente. Tornei-me nos outros, porque cansei-me de mim. Os outros são eu em pequenos fragmentos espalhados pelos lugares que percorri. Não foram muitos. Não sou velha. Não andei muito. Não há muito de mim em muita gente. Há apenas muita gente em muito de mim, mas não há espaço para tanta coisa existir ao mesmo tempo. Perco-me muitas vezes no que quero. Queria tanto. Sobretudo fazer. Quero fazer tudo o que há para fazer. Consumir tudo o que gira à minha volta e ao que o tudo me permite fazer... mas sempre só fui mais alto por causa dos sonhos. Agora já não sei sonhar.


...

Denis Piel, After, 1981
Há alturas da vida em que fazemos a viagem ao nosso centro ...
e é aí que nos cabe a maior e mais solitária das viagens.
Raquel

quarta-feira, agosto 15, 2007

My Fair Lady



e um dia morrerá como toda a gente
nunca mais o lembraremos
nunca mais
porque neste preciso instante acabou de acordar
abre os olhos é jovem ainda
sorri e diz-me:
- Aqui tens o inocente revólver para a eternidade

Al Berto O MEDO Livro Sétimo

domingo, maio 20, 2007

Man Ray



Quem foi que à tua pele conferiu esse papel de mais que tua pele ser pele da minha pele
David Mourão Ferreira

domingo, maio 13, 2007

2x1

Um dois em Um ... 2x1
Retirei estes dois posts do site da Andreia. Espero que não te importes, mas achei que o que escreveste chega para o que eu simplesmente... queria dizer.

"Corro para ti todos os dias...e não há desporto que mais me encha de alegria do que a maratona que é contar-te o meu dia, ouvir-te falar do teu, estar contigo, dizer-te não-verbalmente, em linguagem gestual, corporal, que gosto de ti o tanto que eu nem sabia ser capaz de gostar."
"Podemos estar cercados por pessoas que nos adoram incondicionalmente, que o repetem e demonstram a toda a hora. Mas a nossa personalidade é moldada pelo desejo de agradar àquela pessoa que, não importa o que façamos, terá sempre uma crítica a apontar."

Vazio/Cheio

A onde nos leva a contradicão da Evidencia?

When enough is enough?

No meu ser extremista, pergunto-me muitas vezes, a modo de bom senso:
“será que estou a exagerar?”.
Não é fácil ser eu. Talvez julgando que mais difícil seria ser tu, ou tu, e tu [?]
O limite das coisas é sempre uma linha ténue. Difícil de encontrar na hora certa.
A interjeição “opps” vem depois. A consciência volta. Já mais tarde, por vezes.
Encontrámos a linha! Frustração...
O que é que está a mais e a menos? A quem cabe o juízo de avaliar uma coisa destas? Quando é que o more é less, e/ou o less é more? Eu não sei de certeza. Julgo que isso vem ao gosto de cada um. Não será?!
Caos colectivo da subjectividade. Venham as massas discordantes, e o caos teórico das palavras. Venham, venham, panóplia de opiniões em véus disfarçados de nada. Vazio, diria.
Ás vezes mais valia estarem calados. As palavras eram feias.
O artifício, a maior arma do ser postiço, é aquela que mais combate a estética.
O que é belo? Como é que se vê? Como é que se olha? Como é que se descobre a beleza no caos? É o caos belo? É o natural belo? E o artifício?!
Quando é que o nada é melhor que o tudo ou que o algo?
O importante é descobrir o limite. Sim, o limite para o qual qualquer acção deve parar e respeitar.
Vê!
Afasta.
Observa.
Está óptimo!
A leitura faz-se sempre ao longe, mas a interpretação faz-se de perto. Perto do objecto, da verdade das coisas. Sentir o arrepio das coisas com a nossa presença é identifica-la na sua beleza, na sua essência.
O limite é o vazio de nada num cheio de tudo; é o cheio de nada num vazio de tudo.
Venha o modo de Ver! A vista chega sempre antes das palavras. A criança vê antes de falar. Cala-te!
Desperdício...
Olha, invés!
Escolhi estas duas imagens. Montei-as num esquema.
A primeira: ausência do que nos falta. É sempre um “nothing” quando se precisa de um “something”. É a verdade da carência do Homem. É belo ser-se carente? E Vazio? E ser-se sozinho? É belo? Há quem goste da solidão. Mas o Homem não foi feito para ser sozinho, e existir apenas em si. Estar vazio, não é belo... Mas pode trazer beleza. A tristeza cria, a solidão edifica babilónias de arte. A necessidade de criar a beleza nasce do vazio. Até onde está o limite do vazio em nós para a criação? Isso é afastarmo-nos dos outros? É sermos nada?
É o vazio belo porque nos faz elevar torres de perfeição genuínas?
E o artificio? Representado na segunda imagem, será o artificio “algo” que está a mais? Ou não?! Quando é que o natural é necessariamente belo?
Bem, e eu? Quando é que eu sei que o que digo chega e basta para ser suficiente para ser ouvido e correcto aos outros? E o que eu faço? É suficiente ou é preciso mais? Ou menos?
Deixo em aberto, ou não seria isto tudo um jogo de tudos e nadas ao gosto de cada um no tabuleiro do Universo do Caos.

domingo, abril 22, 2007

Já não consigo colar corações com as palavras.
As tuas ... tem o poder do meu mundo.

quinta-feira, abril 19, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

That's all

I can only give you love that lasts forever,
a promise to be near each time you call.
And the only heart I own
For you and you alone
That's all,
That's all...
I can only give you country walks in springtime
And a hand to hold when leaves begin to fall;
And a love whose burning light
Will warm the winter's night
That's all,
That's all.
There are those I am sure who have told you,
They would give you the world for a toy.
All I have are these arms to enfold you,
And a love time can never destroy.
If you're wondering what I'm asking in return, dear,
You'll be glad to know that my demands are small.
Say it's me that you'll adore,
For now and evermore
That's all,
That's all.

Sei que a força não está na mentira, mas uso-a para acreditar que é possível quando a verdade não se encontra disponível para mim.

segunda-feira, abril 16, 2007

Airing

Drapes drawn aside
And doors open wide
So the draught in the room
Clears away your perfume
Your glass is washed
And your music is hushed
I remove every trace
Of your cold embrace
Shed your winter coat
And sow the seeds of vernal sun
Melt water will flow
And irrigate spouts of zest to come
Sandals on feet
Hapscotch boards on the street
And the first ice cream cone
Means at last you're gone
When you're giving in
That's the sure sign of spring'Seasons cycle' I smile
You'll be back in a while

sexta-feira, abril 13, 2007

Caminhar é sempre suspender a certeza do que se encontra.
Encontrei-te!

quinta-feira, abril 12, 2007

Vinicius de Morais



O que é belo já existe em ti.

Joshua Bell

Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metro de Washington, de manhã, em hora de ponta, despertando pouca ou nenhuma atenção. A provocatória iniciativa foi da responsabilidade do jornal "Washington Post", que pretendeu lançar um debate sobre arte, beleza e contextos.
Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713 - que vale 3,5 milhões de dólares.
Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ostensivamente ignorado pela maioria.
A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.

"Foi estranho ser ignorado"

Bell, que é uma espécie de 'sex symbol' da clássica, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história".
Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total. Esse facto, aparentemente, não impressionou os utentes do metro.

"Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso. "Num concerto, fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas no metro as minhas expectativas diminuíram. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.

O sucedido motiva o debate foi este um caso de "pérolas a porcos"? É a beleza um facto objectivo que se pode medir ou tão-só uma opinião?
Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende:
"A arte tem de estar em contexto".
E dá um exemplo:
"Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará".
Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza".
O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante".
João Pestana, Lusa
"O homem habita poeticamente ... é a poesia que, fundamentalmente, faz da casa uma habitação."
Heidegger

quarta-feira, abril 11, 2007


" Se a infelicidade conduz à escrita, fica suspensa e deixa de ser infelicidade. Porque se muito profunda, dá direito a gritos e gemidos. Só a partir do momento em que começa a ser sublimada é que a grande dor se pode transformar em palavras escritas."

Helder Macedo

terça-feira, abril 10, 2007

Daniel Libeskind

Renaissance ROM, extensão do Royal Ontario Museum, Ontário, Canadá.

"A minha obra fala da vida a partir da catástrofe"
Daniel Libeskind


Já somos dois, com a diferença que a catástrofe faz da minha vida um bico d'obra!

De volta ao futuro revendo as MEGAestruturas

Ron Herron, Colagem Oasis, 1968. Magazine Archigram n. 8, Popular Pack ,
Londres, 1968. Fonte: Archigram Archives


Arch Brasil

Ministério da Educação e Saúde
Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Ernani Vasconcelos e Carlos Leão.
Rio de Janeiro.
Foto Nelson Kon


Um dia seremos vestígio ... no dia em que o amor nos atinja e já não existirmos.

segunda-feira, abril 09, 2007

Identidade do Verniz Pessoal

MULHERES. Muitas crónicas foram escritas por elas e para elas, por eles para eles, mas sobre elas. Muitas reportagens, inquéritos, questionários, planos da dieta à beleza. A Cosmo, a Vogue, a Elle, agora a Happy ou a Sad, não sei. E no fundo, com tanta directriz a mulher não se encontrou a si própria. As setas apontam o caminho, Lancôme, Vichy, Carolina Herrera, Yves Saint Laurent, Channel,… and so on. A mulher persegue os caminhos, os homens não percebem a necessidade de tantos sapatos, dos cremes, do cabelo, das malas. O homem critica, a falta de paciência consome-o, mas é porque é demasiado obtuso para perceber que essa necessidade da mulher está no desejo de ser “a mulher” para ele. A que se sujeita a identidade da mulher senão à doença constante de querer agradar o homem? Atinge-nos onde nos dói mais, a nossa auto-estima não ser proporcional ao nosso verniz, à nossa capa protectora, à derme, ao que nos envolve, ao que os outros vêem. Ser o que não somos para sermos maiores, sempre foi a maior utopia da mulher. A força débil interior perante dúvidas de quem somos?! Estamos onde não pertencemos, só para darem por nós. Somos mais frágeis que a luz da noite a desaparecer entre as nuvens e tentamos sempre brilhar mais para não nos apagarmos da nossa existência. Tudo acaba onde deveria ter começado: em nós. A verdade é que o padrão de beleza ditado pela sociedade é um factor essencial para se controlar a sexualidade da mulher.
Esta visão determina que a sexualidade seja distorcida e entendida como ornamental, observável em vez das qualidades que emanam de um contexto da vida da mulher e como esta se relaciona com ela mesma, com as pessoas e com o mundo.
A sexualidade desta forma é removida do mundo privado para o público, para o domínio de massa, tornando a sexualidade concreta e externa, portanto vulnerável a inspecção, definição, monitorização social e controle. Este controle na verdade fere a identidade feminina que são confrontadas com a forma, peso, altura e estética do corpo que possui e o que a média determina ser sexual ou sensual. A imagem da mulher bela e jovem é resultado de um critério puramente individual, e interpessoal que sustenta e em níveis sistemático, mantém a opressão de género.


Porque metade de mim é o que grito, mas a outra metade é silêncio.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Que não seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espirito.E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
E que a minha loucura seja perdoada … Porque metade de mim é amor … e a outra metade … também.

Adoro ser tua a ser minha.

domingo, abril 08, 2007

A maior solidão é a saudade vivida num coração e no beco do esquecimento de outro.

sábado, abril 07, 2007

Dá-me a mão e ensina-me a sonhar ... dedica-me as palavras da verdade a ecoar-te na boca.

Não moro mais em mim

Quando foi a ultima vez que saíste do que te envolve e percorrendo os campos do nada, cresceste em vão?
Quando foi a vez que gritando no escuro, ouviste a tua voz muda no eco da rua por entre pessoas estranhas?
Quando foi a ultima vez que caminhaste?
Quando foi a ultima vez que viveste?
Perdi a conta dos momentos em que nas sombras dos outros desenhei as minhas. Perdi a conta de quanto criança me chamei em teu nome. Perdi a conta em quantas lágrimas chorei para me encontrar sozinha nas desconfianças de quem nada é senão vestígios. A superioridade da inferioridade é indescritível. És mar de caravelas naufragadas, sou marinheiro sem pé. Morro nas memórias quando tudo era apenas tudo ainda sem nada. Perdi o perdão daquilo que não fui, mas que fiz. Perdi a liberdade de amar o puro do nosso início incontrolável dos olhares perdidos. Perdi-me!... Não moro mais em mim. Sou eu sem ser alguém em ninguém. Pensei-me tua. Vivo os fantasmas do que não controlo para encher a raiva do caudal das veias e explodir no meio da maldade. Injustiça é a sombra minha que te persegue. Desculpas são as pulsações da minha existência em ti… inexistências antes… talvez. O poder que eu não tenho para ser tudo para ti. O poder que eu tenho de ser apenas véu frágil de mim. Queria sempre ser mais que ao que sou. A força nasceu para ser apenas capa invisível de fragilidade capilar. A falta de ti em mim consome-me o pensar. O sentir apenas te toca na minha maldade ingénua. São os medos, aqueles que crescem em caules vivos dentro de mim. Salva o que apodera sem existir. O amor é apenas caminho sem becos. Faz-me as ruas, dá-me as pessoas, desenha o rumo do inevitável de sermos puros. Qual dos muros saltaste como se fosses pena sem partir o osso da loucura? Quando foi a ultima vez que viveste comigo ao compassos dos segundos eternos?
Quando foi a ultima vez que me salvaste do medo de te perder ao som da lágrima atormentada?
Encontra vestígios das palavras ocas que te aproximam de mim.
Como me salvas se não moro mais aqui?


... sobrevivo em ti

sexta-feira, abril 06, 2007

A cinza das Horas

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas ....
Adriana Calcanhoto

Nua ...

Olho a cidade ao redor
e nada me interessa, eu finjo ter calma,
a solidão me apressa.
Tantos caminhos sem fim,
de onde você nao vem.
Meu coração na curva, batendo a mais de cem.
Eu vou sair nessas horas de confusão,
gritando seu nome entre os carros ... que vem e vão
quem sabe então assim ...
você repare em mim ...
corro de te esperar,
de eu nunca te esquecer.
As estrelas me encontram antes de anoitecer.
Olho a cidade ao redor,
eu nunca volto atrás.
Já não escondo a pressa,
já me escondi demais,
Eu vou contar pra todo mundo ... eu vou pichar sua rua.
Vou bater na sua porta de noite ... completamente nua.
Quem sabe então assim ...você repare em mim ...
Quem sabe então assim...
você..........

Ana Carolina "nua"

Projecto V





Pois é ... grande tempo de ausência este! Prometo actualizar aqui o journal, mas por enquanto deixo aqui o motivo do afastamento ;) Entrega Abril 2007
p.s as cores ficaram alteradas aqui no blog... vou tentar remediar isto urgh!

sábado, março 17, 2007

Is not a safe journey

Por vezes, a maior viagem é a distância entre duas pessoas.

God Wears Heels

"Oh God, make me good, but not yet!"

segunda-feira, março 12, 2007

When my anger starts to cry


Hello psychologist, i've come here to talk.
There is a thing i need to figure out,
And please don't question me cause then i might walk,
And will not make out what it's all about.
It's my mentality or maybe my heart,
And i don't know if i am weak or strong.
When someone does me an injustice it starts,
Then i turn feeble and my drive is gone,
'Cause I start feeling sorry for the nuisances.
And I start feeling sorry for myself.
And i start feeling sorry for this stupid situation that appears.
When my anger starts to cry,
What is the reason that I crumble and sigh?
That I don't dare to be the angry one?
The thought of hurting someone just makes me cry,
So I avoid opposing anyone.
When my anger starts to cry
I feel like a bull in a big arena
With matadors profiting from my death
I know what's to come is distress and pain
As I feel their agitated breath
I'm being scam over and over again
I'm just trying to hide my fright
I know that my passivity will cause me pain
But still I don't dare to fight
'Cause I start feeling sorry for the nuisances
And I start feeling sorry for myself
And i start feeling sorry for this stupid situation that appears
When my anger starts to cry,

cry ...

sexta-feira, março 09, 2007

A mulher que eu sou.

Rio-me. Choro. Fico um bocado histérica. Acalmo-me. Esqueço tudo o que alguma vez me aconteceu. Penso em tudo. Aquilo que já aconteceu vezes sem conta. Observo-me ao espelho. Aprecio-me ao espelho. Apetece-me partir o espelho. Dispo a roupa e começo a dançar. Dispo a minha roupa e atiro-a para o chão. Ponho tudo de pernas para o ar. Deixo tudo onde está para que outra pessoa arrume. Apercebo-me de que afinal de contas sou sempre eu quem arruma tudo. Canto muito bem. Canto mal. Como coisas que não devia comer. Dobro-me e observo os meus músculos. Deixo de me dobrar e reparo nas minhas cicatrizes. Gostaria de saber como é que ficaria se fosse loura. Gostaria de saber como é que ficaria se fosse ruiva. Gostaria de saber como é que ficaria se fosse velha. Pinto-me como nunca o faria se fosse para a rua. Experimento roups que nunca vestiria em público. Olho para os meus seios. Imagino-os maiores, mais pequenos, mais arredondados, mais firmes, menos firmes, mais bonitos, mais feios. Aceito os meus seios como eles são. Escondo-me. Respondo às pessoas e ganho. Tenho fantasias em que a estrela sou eu. Estico a pele da minha cara e imagino-me diferente. Pergunto-me se deveria fazer uma operação plástica. Esqueço a operação plástica e penso em algo muito mais barato. Grito comigo própria. Perdoo-me. Ensaio aquilo que irei dizer amanha. Aumento o volume do rádio para não ouvir nada. Abro a torneira da água para não ouvir o rádio. Perco-me. Imagino-me numa ilha deserta. Imagino-me numa ilha deserta, mas com outras pessoas muito atraentes. Rezo. Procuro os meus defeitos. Aceito esses defeitos e procuro outros. Faço caretas ao espelho. Vejo como é que fico com ar sedutora, de amuada, de zangada, de supreendida, de chocada, de impressionada, absorta. Tiro as alianças da vida. Olho para mim nua. Olho para mim e gosto do que vejo.

domingo, fevereiro 18, 2007

Stairways to Heaven

Caminho … até onde o sonho do sono me leva. Não sei onde fico, ou onde estou. A tristeza consome o que resta da confusão do mundo … dos caminhos que percorri sem pensar até onde me levava a eternidade. Estou num caminho que não é o meu. Não sei andar em brumas do esquecimento que ficou de mim em ti. Foi tudo utopia do meu coração. Platónico é o meu sonho num caminho nosso.
Caminho … de solidão entre os homens, no medo de perder quem amamos, no medo de nos perdermos porque quem amamos nunca nos irá encontrar. Onde estás? Corro sem parar para ti. És porta fechada em mim. Fácil foi sempre alcançares-me. Difícil foi sempre deixares-me ficar. Triste foi sempre a facilidade das tuas partidas.
Caminho …
entre a verdade pura dos seres e o desejo inconsciente do desconhecido. Escadas que dividem o mundo obrigam ao encontro de mim. Fracasso em cada passo. Já não há tijolos amarelos. As sabrinas tão gastas. O sinal de chegada não chega por entre as teias de mistério por onde se prendeu meu coração. Pensamentos devotos em mares de mágoa. Perdões veementes de bondade. Um dia chego até ti ... so me resta apenas ...
Caminho ...

sábado, fevereiro 10, 2007

Reflexos

A noite está escura ... em reflexos de poças de chuva.
Escrevo e adormeço em sons de água a cair sobre ombros descalços perdidos no tempo.
A noite está fria ... em reflexos de mim.
Escrevo e adormeço e no pecado me perco.
A noite está transparente ... em reflexos de pureza em gota de água antes de cair ao chão.
Escrevo e adormeço nas memórias da lavagem do coração.

É dificil perceber onde estamos,
se não pertencemos a lado nenhum.

sábado, fevereiro 03, 2007

The places where i can't find you.


No escuro da noite procuro respostas .... mas só encontro chamadas perdidas.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Arquitectura selectiva

Conseguir um lugar ao sol no mundo da arquitectura mnão é fácil. A cunhacracia impera e os ordenados não são aliciantes. Para não fugir à regra, as mulheres são as mais prejudicadas.
A maioria entra na profissão graças aos seus conhecimentos pessoais, ganha menos de 2000 euros (brutos) e as mulheres estão ainda pouco representadas, pois o acesso à actividade é "muito selectivo e socialmente muito fechado". Estes são alguns dos traços gerais que sobressaem de um estudo recente sobre a profissão de arquitecto feito com base nas respostas de 3200 profissionais desta área, elaborado por uma equipa coordenada pelo sociólogo Manuel Villaverde Cabral, do Instituto de Ciências Sociais.
Todos os anos entram no mercado 1000 novos arquitectos, licenciados nas 13 faculdades estatais e privadas que existem de norte a sul do país. As notas de acesso às universidades públicas, nomeadamente as faculdades de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e da Universidade do Porto (em 2005, a nota mínima de entrada nas duas escolas foi, respectivamente de 17,7 e 18,1) só são comparáveis às notas de entrada em Medicina. Apesar da procura do curso, o mercado de trabalho não está fácil, como lembra a bastonária da Ordem dos Arquitectos, Helena Roseta. "Este inquérito revelou que esta é uma classe muito jovem — mais de metade do número total de arquitectos têm menos de 35 anos —, marcada por uma grande insatisfação. Têm grande dificuldade em ingressar no mercado de trabalho. Por isso, é urgente dar mais oportunidades a estes profissionais. O plano tecnológico, por exemplo, só foi pensado para os engenheiros e os gestores, deixando os arquitectos de fora", lembra. Mas não só. Também o polémico decreto 73/73 que permite a outros profissionais como projectistas ou desenhadores civis assinarem projectos de arquitectura limita ainda mais as ofertas de trabalho dos arquitectos. "Temos, no entanto, o compromisso público do ministro do Ambiente de que, pelo menos esta questão, ficará resolvida ao longo deste ano", sublinha Helena Roseta. A obtenção do primeiro emprego através de anúncio, de um centro de emprego ou de concurso público tem assim, uma baixa expressão, estimando-se mesmo que "metade, porventura mais, dos arquitectos actualmente em exercício entrou na profissão através dos seus conhecimentos pessoais: pela mão de um professor, familiar amigo ou colega". Verifica-se, aliás, que perto de "um quarto dos actuais arquitectos possui relações familiares próximas dentro do corpo profissional da arquitectura, o que aponta para a existência não só de dinastias como também de clãs profissionais" . A arquitectura surge ainda como um curso de recrutamento social elevado, onde 50% dos pais destes licenciados possui um diploma no ensino superior. Este nível só é ultrapassado pelo dos médicos, já que perto de 60% dos pais dos licenciados em medicina têm também eles um grau superior de educação. Além do fechamento social da profissão, este é ainda um "universo prevalentemente masculino". Só nos últimos cinco anos, as mulheres estão a conseguir atingir a paridade nas faculdades, mas ainda não vão além dos 35,5% no número total de licenciados em arquitectura, que ronda os 15 mil profissionais. "O ritmo de feminização da arquitectura tem sido, pois, mais lento do que o de outras profissões liberais como a advocacia (no universo dos advogados inscritos na Ordem 45,6% são mulheres) e a medicina (47,3% dos inscritos na Ordem dos Médicos são mulheres)" , realça o estudo. Mas não só. Além da sua ainda fraca representatividade, as mulheres ganham ordenados inferiores aos dos seus colegas do sexo masculino: 50% das inquiridas declararam receber menos de 1000 euros mensais brutos, enquanto apenas 37% dos homens estão nesta categoria. "Os homens também participam mais em concursos do que as mulheres (14 pontos percentuais de diferença) e são praticamente o dobro delas (23% contra 12%) a ganhar prémios", acrescenta-se no documento. Isto apesar das arquitectas se distinguirem por frequentarem mais as pós-graduações académicas (33,3% contra 27,1%) e os cursos de especialização e formação profissional disponíveis (54% contra 48% dos seus pares masculinos). A questão remuneratória, apesar de prejudicar mais o sexo feminino, revela-se francamente negativa no geral, pois 80% dos arquitectos aufere, em média, até 2000 euros mensais. Valores brutos. Apenas 10% declararam rendimentos superiores a 3000 euros mensais brutos pela sua ocupação. Não é por isso de espantar que 75% dos inquiridos se tenham declarado insatisfeitos com os seus rendimentos.

Artigo Publicado no Expresso

Arquitectos ...


Noticia do jornal Público em 18.01.2006

Proposta do Governo terá de ser aprovada na Assembleia.
Ministro das Obras Públicas:projectos de arquitectura só para arquitectos no prazo de cinco anos.
O Governo aprovou hoje uma proposta de revisão do regime sobre aqualificação exigível em obras, prevendo que, após um período detransição de cinco anos, a elaboração de projectos de arquitectura seja apenas da responsabilidade de arquitectos. Em conferência de imprensa, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou que a proposta do Governo, que terá ainda de ser aprovada na Assembleia da República, "já teve em linha de conta as posições das ordens dos Arquitectos, Engenheiros e dos representantesdos agentes técnicos". Pela lei ainda em vigor, que data de 1973, alguns agentes técnicos podem assinar projectos de arquitectura – facto que tem sido contestado pela Ordem dos Arquitectos e que já motivou a aprovação de uma petição popular na Assembleia da Repúblicaa exigir novas regras. De acordo com Mário Lino, após a aprovação do diploma na Assembleia da República, haverá um período de transição decinco anos para aplicação das novas regras de qualificação em termos de responsabilidade de obras. "Trata-se de um período razoável deadaptação", disse o ministro, adiantando que as novas regras abrangerão as obras públicas e as "privadas com inserção urbanística". Espaços exteriores só para paisagistas. Além do caso da arquitectura, aproposta prevê que os projectos de engenharia sejam apenas assinados por engenheiros e engenheiros técnicos, e que os projectos de espaços exteriores sejam somente da responsabilidade dos arquitectos paisagistas. O diploma impõe também a exigência de qualificação emoutros sectores de actividade na esfera das operações urbanísticas, casos das funções de coordenação do projecto, de fiscalização e de direcção de obra. Na elaboração do projecto, segundo o Governo, terá de se verificar "a existência efectiva de uma equipa de projecto, a quem incumbe elaborar todas as peças escritas e desenhadas, actuando sob orientação de um coordenador de projecto". "Este diploma é uma peça central do edifício legislativo para a modernização do sector da construção", sustentou Mário Lino no final da reunião do Conselho de Ministros. Neste contexto, o ministro salientou que a principal metapolítica do Governo é tornar o sector da construção "mais transparente e competitivo, com melhor qualidade e com maior responsabilização dos seus agentes".

segunda-feira, janeiro 22, 2007

...

Refugio-me na solidão de me afastar do que me deu a mão; do que me faz triste, do que me nega o coração. Perco-me nos dias e morro sem sentir nas verdades escondidas ... o infinito de um perdão. Vou fugir sozinha ... o poder de dizer-me adeus.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Quando o amor se acaba ...

Quando o amor se acaba ...

Na cena inicial do filme, (Camile) e (Paul) estão na cama, e enquanto a câmara percorre as formas nuas da então imagem por excelência da França, ela pergunta ao esposo-amante se ama cada parte do seu corpo. Recorrendo a efeitos luminosos o espectador tem a sensação da passagem do tempo, como se ao longo de todo o tempo Camille se certificasse que Paul ama cada pedaço de si para concluir que a ama por inteiro. Quando o amor se acaba, dá lugar a um profundo desprezo. Desprezo de Camille por um marido ausente, desprezo de Paul por uma mulher enfadada por se ousar rebelar contra um papel de usada que acabou por desempenhar de livre-vontade. Desprezo por um sistema hollywoodesco onde tudo parece ser comprável. O profundo golpe de uma história de amor talvez não nasce afinal do seu fim mas do que não se diz, não se explica e não se compreende.
Mas como diz Camille, "C'est la vie!".

As voltas do mundo ... no retorno ao seu início

André Brito Fotografia

Revolvi gavetas e segredos. Apanhei estradas de estranhos. Colei papeis que o vento levava. Contei histórias. Início. Nos mares da saudade perdi-me. O tempo levou-me a sanidade. Prometi, pensei que conhecia. Ficou a mágoa do passado. Meio. Voltar ao abrigo. Sentir no inicio a solidão que nos mata no fim. Vontade do tempo parar. Querer-te. Cessar. Pequena fui eu quando cresci. Cada vez mais. Partículas de pó que ficaram no que nos fragmenta. Mergulho no vazio. Buscar o que não existe para apenas criar. Vácuo no pensamento. Ar sufocante no coração. Indecisão de existir onde se habita. Viver do que nos prende. Soltar do que nos insiste. Comprar o destino. Voar para morrer um dia ... do inicio ao ...
... Fim!

terça-feira, janeiro 09, 2007

We were ... and we will


We were just half friends
Occupying the light
Sometimes Brighton Beach
Sometimes half awake
I thought we shared this song
Till I heard you give the line
To another girl with a sparkle in her eyes
Why can't you go find yourself
And make me want to know you
Why can't you go find yourself
And make me want to show you
Oh, I listen to your stories
I smile when you take a break
But the dark is working overtime
Can you just see me melt
What are we thinking here
Pretending we're so close
Think we're something special
Well I'm giving up the ghost

... you've become the only thing that matters!

Quando não chegou para sermos melhores...

Quando a criança em nós não chegou para crescermos ...
Um dia daremos de caras com nós mesmos na rua da infância!
... e a vergonha nos consumirá por termos chegado no final do tempo!

My only ... lonelly

I can't run anymore,
I fall before you,
Here I am,
I have nothing left,
Though I've tried to forget,
You're all that I am,
Take me home,
I'm through fighting it,
Broken,Lifeless,I give up,
You're my only strength,
Without you,I can't go on,
Anymore,Ever again.
My only hope,(All the times I've tried)
My only peace,(To walk away from you)
My only joy,My only strength,(I fall into your abounding grace)
My only power,My only life,(And love is where I am)
My only love.I can't run anymore,
I give myself to you,
I'm sorry,I'm sorry,
In all my bitterness, I ignored,
All that's real and true,
All I need is you,
When night falls on me,
I'll not close my eyes,
I'm too alive,
And you're too strong,
I can't lie anymore,
I fall down before you,
I'm sorry,I'm sorry.
My only love. Constantly ignoring,
The pain consuming me,
But this time it's cut too deep,
I'll never stray again.
My only hope,(All the times I've tried)
My only peace,(To walk away from you)My only joy,
My only strength,(I fall into your abounding grace)
My only power,My only life,(And love is where I am)
My only love,My only hope,(All the times I've tried)
My only peace,(To walk away from you)My only joy,
My only strength,(I fall into your abounding grace)
My only power,My only life,(And love is where I am)
My only love.

My only you ...

sábado, janeiro 06, 2007

Amor Divino

"[...] Tocada por uma experiência excepcional do Espiríto Divino, que, na sua perplexidade, interroga: «Porquê a mim, que nunca acreditei nessas coisas; porquê agora, que já tinha tudo tão arrumado na minha vida?» Só me ocorre a pergunta, algo inesperada nestas circunstâncias e que ouvi uma vez a uma paciente com uma doença grave: «Porque não a mim?». Porque aí também buscava um sentido.
Intuí que as experiências de vida lhe ensinam o que aprende nesta trajectória entre o céu e a terra, isto é, a lidar com as nossas emoções e pensamentos e também com as dos outros. É a aprendizagem da impermanência das coisas e pessoas, do desapego, do perdão (a si e aos outros), que não há os bons e os maus e a luta entre eles, mas que a luta se faz dentro de nós. Como fazer essa aprendizagem pode quase resumir-se a manter ao longo da vida algumas características que identificamos como o ser criança (autenticidade, curiosidade, espiríto de brincadeira), juntando-lhe a responsabilidade do adulto. Em resumo, que o Amor (em sentido lato) é a arte de prolongar o efémero, que é esse estado absoluto, mas não eterno, ao nível humano. [...]
Como se a vida nos proporcionasse o que «precisamos ou merecemos» para sermos mais e melhores, como se fosse esse o sentido que liga as experiências de vida. Como se uma nova definição de espiritualidade (dimensão humana) pudesse ser a consciência de que tudo está ligado por um sentido que nos ultrapassa e que nos leva a tornarmo-nos anjos cínzeos. Estes seriam o grau mais refinado de humanos, cuja matéria, simbolicamente, seria cinza (ainda mundo material, necessário como humano), produto de múltiplas «queimas»
O mundo material que nos vem parar ás mãos, bem como os talentos com que somos brindados, deveria ser «de algum modo lançado no universo de onde proveio». Trata-se também de fazermos o nosso melhor, da nossa responsabilidade, para que o que habitualmente se designa por destino se revele, pois ao ser «levada(o) pelas sementes do melhor em mim mesma(o) toco os meus próprios limites». « Auto-estima não é narcisimo», «Porque somos atraídos por pessoas que nos magoam?» e «Nós é que atraímos o que nos acontece». Na realidade é muito díficil encontrar um amor em que apeteça, espontaneamente, dizer, brotando da boca, «Amo-te», em que esta palavra traduza a ternura e o desejo simultâneos e intrisecamente ligados. Mais díficil ainda seria encontrar o amor divino sentido pelos místicos, cuja possível «marca» de entrega seria pronunciar «faz de mim o que quiseres», pois existe a paz e a alegria de se saber aceite tal e qual como se é.
Ao «dar o melhor de nós mesmos» a alguém é já amar verdadeiramente e não simplesmente apreciar a companhia de alguém, pois seria «olhá-lo tal como é, independetemente do lugar que ocupa no mundo, da forma como orienta a sua vida e do facto de nos ser útil seja em que campo for». Não existe exigência nem «obrigação de renunciar a algo ou alguém e cada um pode usufruir do outro pura e simplesmente pelo que ele é, sem qualquer sentimento de posse ou competição e sentimentos de ciúme que eventualmente surjam são logo resolvidos com sensatez». Seria o Amor vivido sem a tão temida perda de liberdade no compromisso (livremente desejado e aceite) com alguém, tal como «irmãos de sexo oposto ligados por um sentimento de consanguidade», simulacro e antecipação das relações do futuro e do Amor Divino."
... E porque hoje me sinto sozinha
... e da minha solidão sou egoísta.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

...

Só a consciencia de que é apenas por um tempo que se mantém seja o que for nos ajuda a largar o que acaba!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Fio do mundo ...

« ... quero um fio que me conduza ao centro da vida e trazer ao de cima tudo o que existe lá dentro, quero o coração do mundo, quero o que mora no interior do interior, transformar em letras o que não tem letra nenhuma ... »

António Lobo Antunes

Mar meu ...

"Quem quer passar além do Bojador, Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu."
Fernando Pessoa
Donde vem toda a lágrima salgada deste rio que verdades e mentiras esconde?
De percursos e caminhos delineados em movimentos traçados por gaivotas;
De pendulo da vida que me leva no rio e esconde as memórias do pensamento.
Ao mar e ao rio dediquei muitas das minhas saudades daqueles que da vida partiram e que da minha levaram.
A saudade ao mar português que nos alimenta a alma e nos afunda o desejo em ninfas de mistério.
Tágide! ... Oh Tágide que me percorre o corpo e pela qual eu espero sempre em lugares distantes.
Tomaste-me a inocência pela primeira vez quando olhei para ti ... não importa!!
Eu sou Tua .... foi aqui que nasci.

Meu Tejo ... Minha Lisboa

quarta-feira, janeiro 03, 2007


A beleza é rude!

Mas, verdade, chorei demasiado! As auroras são dolorosas